E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar, decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las, decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução, decidi ver cada noite como um mistério a resolver, decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz, naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de as superar, naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tivesse sido, deixei de me importar com quem ganha ou perde, agora me importa simplesmente saber melhor o que fazer, aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir, aprendi que o melhor triunfo é poder chamar alguém de"amigo", descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, "o amor é uma filosofia de vida". Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser uma tênue luz no presente, aprendi que de nada serve ser luz se não iluminar o caminho dos demais, naquele dia, decidi trocar tantas coisas, naquele dia, aprendi que os sonhos existem para tornar-se realidade. E desde aquele dia já não durmo para descansar... simplesmente durmo para sonhar.
"Vou te ligar. Fico matutando apegado ao assunto o dia todo, como aquele último chiclete de esperança, que já está gasto e sem gosto, mas você continua insistindo em mascar, muito porque não sabe mais o que fazer com a própria língua e dentes. Você pode estar doente. Pode estar carente, com saudade, precisando me dizer uma coisa que nunca teve coragem de dizer. Pego o telefone e uma maçã. Talvez morder alguma fruta no meio do diálogo dê a impressão de que te ligar é um acontecimento casual, que estou nem aí na verdade, só estou fazendo hora porque a água do meu banho ainda não esquentou, e eu estava sem nada pra fazer de toda forma. “E aí, como vão as coisas?”, ensaio. Abocanho a maçã, mas não digito seus números. Quando crio coragem, o buraco na fruta exibe a carne ressecando e escurecendo de oxidação. Ligo, chama-chama e não atende. Me sinto enjoado. A secretária eletrônica me encaminha até a caixa postal. Deixo recado: – Juro, dessa vez estive muito perto de te esquecer."